Fisioterapia aquática na reabilitação motora de mulheres pós-AVC: estudo de caso

Autores

  • Amanda Camargo Marcondes Faculdade Unicesumar Autor
  • Barbara Duarte Barbosa Autor
  • Cristiane Bulyk Veiga Autor

Palavras-chave:

Bad ragaz, Watsu, Aquática

Resumo

 A fisioterapia aquática tem se mostrado uma abordagem eficaz na reabilitação motora de pacientes pós-AVC, promovendo melhorias na mobilidade, força muscular e independência funcional. Este estudo tem como objetivo desenvolver e avaliar a eficácia de um protocolo padronizado de fisioterapia aquática para mulheres que sofreram AVC recentemente e apresentam sequelas motoras em membros superiores e inferiores. A pesquisa foi conduzida como um estudo de caso, incluindo duas mulheres com idades de 43 e 46 anos, selecionadas a partir da lista de espera da clínica da Faculdade Cesumar de Ponta Grossa, Paraná. A metodologia envolveu uma avaliação inicial detalhada para determinar o diagnóstico fisioterapêutico e um plano de tratamento individualizado. As sessões ocorreram três vezes por semana, com duração de 40 minutos, e foram realizadas na clínica São Vicente na cidade de Ponta Grossa, Paraná. A intervenção utilizou técnicas aquáticas como Watsu, para relaxamento e propriocepção, e Bad Ragaz para funcionalidade tônica, fortalecimento muscular e melhora da coordenação. Além das técnicas mencionadas, foram realizados exercícios hidrocinesioterapêuticos compostos de alongamentos, marcha aquática, movimentos ativos e passivos de membros superiores e inferiores, junto de exercícios específicos para o tronco. Foram excluídas da pesquisa pacientes acamadas, cadeirantes, com incontinência urinária e fecal, comprometimento cognitivo grave ou dificuldades de adesão ao tratamento. As ferramentas utilizadas para controle e avaliação da participante foram: Goniômetro para avaliação da amplitude de movimento; Teste de Romberg para o equilíbrio; Medical Research Council (MRC) e Escala Modificada de Ashworth para avaliação do tônus. Os resultados mostraram ganhos significativos na amplitude de movimento, aumento da força muscular em articulações-chave, melhora do equilíbrio e maior autonomia nas atividades de vida diária. As participantes relataram redução de dor, sensação de relaxamento e bem-estar durante as sessões. Tais observações reforçam que a fisioterapia aquática é uma intervenção eficaz e segura na reabilitação de mulheres pós-AVC, favorecendo tanto a recuperação motora quanto os aspectos emocionais e sociais. A relevância deste estudo se dá pela possibilidade de aplicação de protocolos aquáticos adaptados às necessidades clínicas de pacientes neurológicos, contribuindo para o avanço do conhecimento na área e ampliando as estratégias de reabilitação disponíveis.

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Publicado

01-05-2026

Edição

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Artigos