Perfil sociodemográfico da população de mulheres privadas de liberdade em uma penitenciária dos Campos Gerais: dimensão doenças crônicas e infecções sexualmente transmissíveis

Autores

  • LARYSSA BAIER fasf Autor

Palavras-chave:

Mulher. Privação de liberdade. Doenças crônicas. Infecções sexualmente transmissíveis.

Resumo

O estudo tem como objetivo traçar o perfil de mulheres privadas de liberdade, considerando aspectos sociodemográficos, doenças crônicas pré-existentes e infecções sexualmente transmissíveis antes e durante o encarceramento. A pesquisa, de abordagem quantitativa, foi desenvolvida na Cadeia Pública Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa/PR, com a participação de 60 detentas com idade entre 18 e 73 anos. A coleta de dados ocorreu por meio de um questionário estruturado e entrevistas individuais, abordando variáveis como saúde, escolaridade, raça/etnia, estado civil e religião. A análise sociodemográfica revelou a predominância de mulheres jovens adultas, solteiras e com baixo nível de escolaridade, reforçando a vulnerabilidade social da população encarcerada. A investigação de saúde indicou que 63,3% das participantes relataram diagnóstico de alguma Doença Crônica Não Transmissível. Além disso, a análise evidenciou que muitas mulheres já apresentavam hábitos de vida pouco saudáveis antes do regime prisional, o que favoreceu a continuidade de agravos durante a reclusão. Observou-se que a precariedade do sistema prisional contribuiu para o agravamento de doenças crônicas e infecções sexualmente transmissíveis, além de limitar o acesso a ações de promoção e prevenção em saúde. Dessa forma, a pesquisa reforça a urgência de estratégias de assistência que qualifiquem o rastreio, o manejo precoce e a continuidade do tratamento dessas doenças, garantindo a atenção integral e humanizada à saúde da mulher privada de liberdade.

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Publicado

01-05-2026

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Artigos